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E. P. Wieringa, Bradley, Francis R.: Forging Islamic Power and Place. The Legacy of Shaykh Dā’ūd bin ‘Abd Allāh al-Faṭānī in Mecca and Southeast Asia. Honolulu: University of Hawai‘i Press, 2016. 212 pp. ISBN 978-​0-​8248-​5161-​3. Price: $ 54.00 in:

Anthropos, page 199 - 200

Anthropos, Volume 115 (2020), Issue 1, ISSN: 0257-9774, ISSN online: 0257-9774, https://doi.org/10.5771/0257-9774-2020-1-199

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pectos da vida privada do biografado, contudo, ficam majoritariamente restritas à narrativa oficial sobre a his‐ tória familiar, enquanto certos episódios, como as af‐ fairs extraconjugais, são apenas mencionados superfici‐ almente por discrição. A contextualização histórica generosa de cada capítu‐ lo e as numerosas referências à bibliografia abrangente dão crédito aos três anos de pesquisa mencionados pelo autor. Os leitores ficam conhecendo a complexa história familiar, possibilitada pela detalhada pesquisa genealó‐ gica de Priscilla Bueno, estranhamente não citada na bi‐ bliografia, as leituras que influenciaram o pensamento de Roquette e seus contatos intelectuais, sobretudo com os círculos positivistas da época que se viram como “re‐ generadores da República”. Roquette-Pinto como antro‐ pólogo, tanto físico quanto cultural, constitui o principal enfoque do livro, o que significou, para o autor, se fami‐ liarizar com os temas da antropologia que fazem parte da obra do avô. Embora Roquette também tenha se des‐ tacado como etnógrafo nos primórdios da profissionali‐ zação da antropologia no Brasil, o que fica evidente na discussão detalhada de sua obra mais conhecida, “Ron‐ dônia” (1917), publicada em várias edições, os debates contemporâneos da antropologia biológica em torno do conceito de “raça” ocupam mais espaço no livro. E por justa causa, já que nos debates nacionais e internacio‐ nais da época sobre a validade heurística do conceito de “raça” costuma se identificar, em Roquette, um pensa‐ dor à frente de seu tempo. Isto o levou, quase inevita‐ velmente, a uma discussão do pensamento boasiano. Ao contrário de Boas, cujas pesquisas abriram o caminho para a desconstrução do conceito de “raça”, Roquette não chegou ao ponto de negar qualquer valor heurístico do conceito. Ele inclusive defendeu a ideia da existência de raças humanas, mas reduziu consideravelmente seu valor explicativo por negar o determinismo biológico, pseudocientífico, predominante na época. As grotescas desigualdades sociais e econômicas no Brasil não po‐ dem, segundo ele, ser atribuídas a heranças genéticas ou, em suas próprias palavras, “... não esqueçamos, por amor ao preconceito disfarçado ou manifesto, que o problema nacional não é transformar os mestiços do Brasil em gente branca. O nosso problema é a educação dos que aí se acham, claros ou escuros” (138). Um otimismo quase iluminista com relação ao poder do empirismo e da razão, algo influenciado pelos conta‐ tos com os círculos positivistas, o levou, a partir de 1922/23, a um protagonismo em ambiciosos projetos educacionais por radiodifusão, outro enfoque do livro. Suas ideias generosas e visionárias sobre a radiodifusão pública para fins educacionais o levaram à criação, jun‐ to com outros professores e cientistas, da Rádio Socie‐ dade, a qual finalmente foi transferida, por doação, ao Ministério da Educação e Cultura, em 1936, e rebatiza‐ da em Rádio MEC, nome que a famosa emissora, sedia‐ da no Rio de Janeiro, ainda tem hoje em dia. A linguagem do livro é fluida e a leitura, agradável. Os leitores podem estranhar que as referências remissi‐ vas à bibliografia são feitas sem citar nem ano nem pá‐ ginas, o que talvez seja explicável como questão estilís‐ tica para garantir o fluxo da leitura, ou seja, algo co‐ mum entre jornalistas, mas não em publicações científi‐ cas. Algumas comparações são desproporcionais, como aquela entre Rondon e Gandhi (82). E igualar os impac‐ tos das obras de Roquette-Pinto e Gilberto Freyre (118 s.) certamente é discutível. Bojunga também faz questão de destacar as diferenças entre Roquette e Lévi- Strauss, dando destaque ao empirismo do avô, o que le‐ vou, inclusive, a uma interpretação mais do que equivo‐ cada do pensamento do grande mestre francês (91). No entanto, Bojunga apresenta argumentos sólidos para mostrar que seu avô era um pensador e cidadão muito à frente de seu tempo, o que o levou a terminar o livro com uma avaliação bastante otimista sobre a vitória das ideias de Roquette (254–257). Trata-se de uma belíssima edição muito bem ilustrada que ajuda a transformar a leitura em grande prazer. Sin‐ to apenas que Bojunga não publicou mais trechos da correspondência de seu avô, já que atualmente epistolo‐ grafias representam uma fonte bastante valorizada na história das ciências. Mas isso não diminui o prazer de ler seu livro. Peter Schröder (pschroder@bol.com.br) Bradley, Francis R.: Forging Islamic Power and Place. The Legacy of Shaykh Dā’ūd bin ‘Abd Allāh al- Faṭānī in Mecca and Southeast Asia. Honolulu: Univer‐ sity of Hawai‘i Press, 2016. 212 pp. ISBN 978-0-8248- 5161-3. Price: $ 54.00 Die vorliegende Arbeit ist eine stark verkürzte und überarbeitete Fassung einer Dissertation, die im Jahre 2010 als “The Social Dynamics of Islamic Revivalism in Southeast Asia. The Rise of the Patani School, 1785– 1909” von der University of Wisconsin-Madison ange‐ nommen wurde (zugänglich auf der Website ; abgerufen am 22.08.2019). Es geht dabei um die Geschichte islamischer Reformbewegungen in Südostasien, wobei die Intellektuellennetzwerke islami‐ scher Schriftgelehrten untersucht werden, die ursprüng‐ lich aus Patani in Süd-Thailand stammten, jedoch in dem Gebiet zwischen Südostasien, dem indischen Oze‐ an und dem Nahen Osten verbunden waren. Ab dem Ende des 18. Jh.s entstand eine sog. Patani-Richtung des Islams, die mit ihren Texten und Lehren bis zum Anfang des 20. Jh.s die islamischen Gemeinschaften in Thailand, Malaysia, Indonesien, Kambodscha, Vietnam und Singapur maßgebend beeinflusste, heute aber noch immer in traditionalistischen Milieus präsent ist. Bezugnehmend auf Bourdieus Kulturtheorie betrach‐ tet Bradley die Gesellschaft in Patani als “a sum of a number of physical, intellectual, or imagined spaces in which people contended for cultural, economic, and symbolic capital” (36). Bradley stellt die These auf, dass erst mit dem Untergang des Sultanats Patani die is‐ lamische Gelehrsamkeit als soziales Kapital wertvoll für die indigene Elite wurde. Als sich die lokale Wirtschaft Book Reviews 199 Anthropos 115.2020 im 17. Jh. im Niedergang befand, hatte zunächst der Markt als Quelle für soziales Kapital an Bedeutung ver‐ loren. Nachdem das kleine Sultanat Patani weiterhin mehrmals von Siam militärisch geschlagen worden war, wobei schließlich der Palast im Jahre 1786 vernichtet wurde, blieb damit nur noch die Moschee und die geisti‐ ge Elite der islamischen Schriftgelehrten für die Status‐ reproduktion in der Oberschicht übrig. Bradley argu‐ mentiert, dass nach dem wirtschaftlichen und politi‐ schen Untergang des Sultanats Patani eine “soziale Lee‐ re” an der Spitze der Gesellschaft entstanden war, die erst allmählich im Laufe des 19. Jh.s von islamischen Schriftgelehrten, Lehrern und Kopisten gefüllt wurde. Während die nördliche Thai-Welt sich nach Bangkok orientierte, richtete sich die Bevölkerung in der südli‐ chen Halbinsel zunehmend nach Mekka. Es ist diese so‐ ziale Dynamik, die Bradley für die Entfaltung der trans‐ ozeanischen Gruppe von islamischen Schriftgelehrten aus Patani in Mekka als ausschlaggebend betrachtet. Verschiedene Männer mit der Herkunftsbezeichnung al- Faṭānī (d.h. “aus Patani”) in ihren Namen verfassten im Herzland des Islams richtungsweisende Texte für ganz Südostasien. Bradley weist darauf hin, dass in Biblio‐ theken mehr als 1.300 Handschriften von Schriftgelehr‐ ten aus Patani aufbewahrt werden, die im 19. und 20. Jh. produziert wurden. Diese Werke sind vor allem in der malaiischen Sprache verfasst worden und weisen eine große Bandbreite unterschiedlicher islamischer Wissensbereiche auf: “legal tracts, prayer manuals, mystical treatises and poetry, guides to Arabic grammar, numerous Malay translations of well-known Arabic works, and the first written forms of local oral traditi‐ ons” (3). Mit diesem Buch bietet Bradley eine fundierte Be‐ schreibung und Analyse der islamischen “Patani-Rich‐ tung”: Mit seiner Erforschung malaiischer Handschrif‐ ten dieses Korpus leistet er Pionierarbeit, wobei vor al‐ lem auf die Rolle des produktiven Autors Dā’ūd bin ‘Abd Allāh al-Faṭānī (1769–1847) eingegangen wird. Dahingegen wird eine andere Figur, nämlich Aḥmad bin Muḥammad Zayn al-Faṭānī (1856–1908), bloß dreimal erwähnt (S. 14, 128, 139), obwohl er für die Verbreitung der Schriften in die südostasiatische In‐ selwelt von großer Bedeutung gewesen ist. Mit ihm tritt jedoch eine andere, moderne Phase ein, in der das Zeit‐ alter der handschriftlichen Überlieferung des Wissens vom Zeitalter des Buchdrucks abgelöst wurde: Aḥmad bin Muḥammad Zayn al-Faṭānī war nämlich ab der Mit‐ te der 1880-er hauptverantwortlich für die malaiische Presse in Mekka, wobei er Werke seiner Landsleute be‐ vorzugte. Das Erbe der Patani-Richtung bleibt auch im 21. Jh. noch immer präsent: Nachdrucke sind bis heute in Südostasien leicht zu bekommen und finden ihre Le‐ serschaft in traditionalistischen Kreisen. E. P. Wieringa (ewiering@uni-koeln.de) Burke, Paul: An Australian Indigenous Diaspora. Warlpiri Matriarchs and the Refashioning of Tradition. New York: Berghahn Books, 2018. 237 pp. ISBN 978- 1-78533-388-0. Price: $ 120.00 The notion of diaspora is an original and relevant way to address indigenous Australian issues. Benjamin Smith referred to the Aboriginal diaspora of people who were forcibly displaced into missions and reserves built in Queensland outside of the traditional territory of their respective language groups. Burke’s book, based on years of ethnographic fieldwork, shows another form of diaspora resulting from the choice of some Warlpiri people from Central Australia to live away from the set‐ tlements, which were established on their land or close by in the 1940 s–50 s. Burke’s argument is that much of the permanent migration “has the character of an escape from the intensity of settlement life as it developed through the second half of the twentieth century” (16). His brief Warlpiri history shows that thanks to “regional interconnections … [and] tribal cosmopolitanism … some local Aboriginal people came to know relatively distant unfamiliar languages, kinship systems and ritu‐ als” (17). In that sense. the semi-nomadic hunter-gather‐ ing Warlpiri life was not limited to their own territory (600 km N/S x 300 km E/W), a process that was intensi‐ fied with colonization. Burke’s compelling ethnography challenges some academic assumptions of Warlpiri parochialism. Written records and oral history attest of Warlpiri mi‐ grations during the gold rush waves between 1880– 1924 and after the 1928 Coniston massacre. Many Warlpiri families forced by draught gathered at food de‐ pots in the Granites, Tanami, and Philip Creek, or looked for work in cattle stations (Gordon Downs, Wave Hill, Waterloo) and towns (Tennant Creek, Alice Springs). Map 1.3 (20) shows, that in 1957, 480 Warlpiri lived in Yuendumu, 130 in Lajamanu, and hun‐ dreds in small places of their country or in stations around. In the 1960 s, about 90 percent of the children attended settlement schools or boarding schools, some students would train further away and come back with successful jobs: school, health clinic, council office, Baptist church, and later as police aid. After the Warlpiri won a land rights claim in 1978, they gained self-management of their communities and culturally in‐ vested in ritual and return to the country with the estab‐ lishment of remote outstations run with solar power. Warlpiri language remained the first spoken. Since the 1980 s–90 s, the world success of acrylic painting promoted through community art centers and massive input of mining royalties brought a flow of re‐ sources. Money is usually gambled and spent by the winners, creating many conflicts between families. Al‐ cohol-related problems, domestic violence, lots of early deaths due to car accidents, and poor health expanded with a certain deference to White authority, and a low attendance at school. The NT “Intervention” (National Emergency Response Act 2007) drastically changed life in the settlements, while their management was central‐ ized in towns and the bilingual program dropped for five years. In September 2010, after a young man was 200 Book Reviews Anthropos 115.2020

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Abstract

Anthropos is the international journal of anthropology and linguistics, founded in 1906 by Wilhelm Schmidt, missonary and member of the Society of the Divine Word (SVD). Its main purpose is the study of human societies in their cultural dimension. In honor of Wilhelm Schmidt‘s legacy, the cultivation of anthropology, ethnology, linguistics, and religious studies remain an essential component oft he Anthropos Institute – the organizational carrier of the journal.

Zusammenfassung

Anthropos - internationale Zeitschrift für Völkerkunde wird vom Anthropos Institut St. Augustin seit 1906 zweimal jährlich herausgegeben. Ursprünglich als Sprachrohr für katholische Missionarsarbeit geplant, gilt sie heute als wichtige Fachzeitschrift der allgemeinen Ethnologie. Sie behandelt sowohl kulturelle als auch sprachliche Themen in mehreren Sprachen, mit Schwerpunkt auf den Völkern des gesamtamerikanischen und afrikanischen Kontinents.