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Peter Schröder, Bojunga, Claudio: Roquette-Pinto. O corpo a corpo com o Brasil. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2017. 288 pp. ISBN 978-​85-​7734-​654-​7. Preço: R$ 59,90 in:

Anthropos, page 198 - 199

Anthropos, Volume 115 (2020), Issue 1, ISSN: 0257-9774, ISSN online: 0257-9774, https://doi.org/10.5771/0257-9774-2020-1-198

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kann über die zahlreichen bibliografischen Verweise die relevante Fachliteratur konsultiert werden, womit sich die Lektüre für den Einstieg in ein bestimmtes Gebiet der Schweizer Volksmusik eignet. Die starke Reduktion der Inhalte auf Zusammenfassendes ist einerseits eine Stärke, mancherorts aber auch eine Schwäche der Publi‐ kation, da sie teilweise Verallgemeinerungen, wider‐ sprüchliche Aussagen oder unklare Interpretationen der Quellen hervorbringt. So steht auf Seite 45 zur Thema‐ tik des Kuhreihens, in den Publikationen Hofers (1710), Rousseaus (1768), Stolbergs (1794) und Tarennes’ (1813) seien die Noten im Gegensatz zum Kuhreihen Barbara Brogers ohne Text abgedruckt, weil die Reise‐ schriftsteller mit der Mundart nicht zurechtkamen. Stol‐ bergs Kuhreihen (1794), welcher große Ähnlichkeit mit demjenigen Brogers aufweist, wurde jedoch mit schwei‐ zerdeutschem Text veröffentlicht und Tarennes’ (1813) Publikation verfügt über den gesungenen Text verschie‐ dener Kuhreihen, sogar mit Varianten in Schweizer‐ deutsch, Französisch und im lokalen Patois. Ferner stammt die Kuhreihennotation von 1710 nicht von Jo‐ hannes Hofer, sondern von Theodor Zwinger, der Ho‐ fers Dissertation 22 Jahre später um mehrere Kapitel er‐ weiterte und veröffentlichte. Auf Seite 56 wird aus Franz Königs “Reise in die Alpen” (Bern 1814) zitiert: “Die Mädchen singen, die Männer jodeln” – dies sei der älteste Beleg für das Wort “jodeln” in der Schweiz. Das wäre eine wertvolle Erkenntnis, allerdings kann das Zitat bei König nicht gefunden werden, da die angegebene Seite 627 in dem rund 150-seitigen Buch nicht existiert. König (1814: 62) schreibt inhaltlich ver‐ gleichbar, dass Mädchen und Frauen den Gesang lieben, während die Männer “jauchzen, und hauren nach Tyro‐ ler Art” – somit wurde diese Singweise damals als tiro‐ lerisch empfunden und in der Schweiz noch nicht mit “jodeln” bezeichnet. Das Unterkapitel zum zivilen Blasmusikwesen (176 f.) enthält verallgemeinernde Aussagen, wie Blasmusikvereine “organisieren jedes Jahr mindestens drei Konzerte” oder “[i]n jedem Dorf, in jeder Stadt gibt es mindestens ein Blasmusikkorps”, letztere widerspricht der Tatsache, dass die Zahl der Schweizer Gemeinden die der Blasmusiken übersteigt und viele größere Gemeinden mehrere Vereine behei‐ maten. Die Aussage, an den fünfjährlichen Eidgenössi‐ schen Blasmusikfesten würden „heutzutage zwei Kom‐ positionen in Auftrag gegeben, die in eindrücklichen Gesamtinterpretationen … uraufgeführt werden“ irri‐ tiert: Zwar werden an diesen Festen Auftragskomposi‐ tionen aufgeführt, diese werden aber für die Wettvorträ‐ ge in diversen Kategorien (2016 waren es neun) ver‐ wendet und nicht für einen Gesamtchor. Andere ähnlich problematische Beispiele nennt bereits Ringli (2019). Die außergewöhnlich breite Thematik der Monogra‐ fie geht hier mit einer gewissen Streuung in der Be‐ handlung der Quellen einher, bei einem kritischen Um‐ gang unter Konsultation der Originalquellen ergibt sich dennoch ein informatives Gesamtbild Schweizerischer Volksmusikpraktiken. Die umfangreiche Quellensamm‐ lung und die großzügige Ausstattung mit Bild und Ton vermitteln ein Bild der Schweizer Volksmusik, das In‐ teresse für die diversen, teils heute noch wenig beachte‐ ten Genres weckt und zu weiteren Nachforschungen animiert. Yannick Wey (yannick.wey@hslu.ch) Andrea Kammermann (andrea.kammermann@hslu.ch) Bojunga, Claudio: Roquette-Pinto. O corpo a corpo com o Brasil. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2017. 288 pp. ISBN 978-85-7734-654-7. Preço: R$ 59,90 Há silêncios estranhos no ensinamento da antropolo‐ gia no Brasil. Um deles diz respeito a Edgard Roquette- -Pinto (1884–1954), cuja obra foi de suma importância no contexto da institucionalização tímida da antropolo‐ gia brasileira na primeira metade do século XX. Embora exista uma bibliografia consolidada sobre diversos as‐ pectos de sua vida e obra, o livro do escritor e jornalista Claudio Bojunga, que recebeu o prestigiado Prêmio Ja‐ buti da Câmara Brasileira do Livro (CBL) em 2017, na categoria “Biografia, Documentário e Reportagem”, tem uma qualidade peculiar: o autor é um dos netos do biografado. Por um lado, isto desperta curiosidade espe‐ cial entre os leitores, mas, por outro lado, também colo‐ ca um desafio para manter um distanciamento objetivo com relação à vida e obra de “Roquette”, como ele cos‐ tuma ser citado em muitas apresentações verbais ou es‐ critas. A dúvida do leitor de eventualmente ter em mãos uma hagiografia do grande avô até é reforçada depois da leitura do primeiro capítulo (“Roquette, o semeador”), mas felizmente se dissipa logo depois. Trata-se de uma obra bem-vinda, já que um trabalho biográfico anterior, de Roberto Ruiz da Rosa Matheus (Edgard Roquette- -Pinto, Aspectos marcantes de sua vida e obra. Brasília: Ministério da Educação e Cultura), é de 1984 e diversos estudos posteriores tratam apenas de aspectos específi‐ cos da obra científica. Além disso, o incêndio do Museu Nacional em setembro de 2018 transformou a biografia de Bojunga, indiretamente, num testemunho da impor‐ tância daquela instituição tão vilipendiada pela adminis‐ tração pública de um país onde a memória de seus gran‐ des cientistas parece ser algo tratado como negligenciá‐ vel. Por se tratar de uma biografia, vê-la estruturada em ordem cronológica não causa surpresa. Bojunga, porém, optou por destacar as duas facetas principais de seu avô como pessoa pública: o cientista (médico, antropólogo físico, etnólogo) e o educador preocupado com a divul‐ gação de saberes científicos e a democratização do aces‐ so à educação. O resultado é uma narrativa fascinante sobre um personagem central na vida científica e inte‐ lectual do Brasil na primeira metade do século XX. Ca‐ da capítulo aborda individualmente algum aspecto da atuação profissional de Roquette-Pinto: sua formação, sobretudo no Museu Nacional; sua grande expedição à Serra do Norte; a publicação do clássico “Rondônia”; seus estudos de antropologia física e suas concepções de “raça”; o trabalho incansável como radialista; etc. As‐ 198 Book Reviews Anthropos 115.2020 pectos da vida privada do biografado, contudo, ficam majoritariamente restritas à narrativa oficial sobre a his‐ tória familiar, enquanto certos episódios, como as af‐ fairs extraconjugais, são apenas mencionados superfici‐ almente por discrição. A contextualização histórica generosa de cada capítu‐ lo e as numerosas referências à bibliografia abrangente dão crédito aos três anos de pesquisa mencionados pelo autor. Os leitores ficam conhecendo a complexa história familiar, possibilitada pela detalhada pesquisa genealó‐ gica de Priscilla Bueno, estranhamente não citada na bi‐ bliografia, as leituras que influenciaram o pensamento de Roquette e seus contatos intelectuais, sobretudo com os círculos positivistas da época que se viram como “re‐ generadores da República”. Roquette-Pinto como antro‐ pólogo, tanto físico quanto cultural, constitui o principal enfoque do livro, o que significou, para o autor, se fami‐ liarizar com os temas da antropologia que fazem parte da obra do avô. Embora Roquette também tenha se des‐ tacado como etnógrafo nos primórdios da profissionali‐ zação da antropologia no Brasil, o que fica evidente na discussão detalhada de sua obra mais conhecida, “Ron‐ dônia” (1917), publicada em várias edições, os debates contemporâneos da antropologia biológica em torno do conceito de “raça” ocupam mais espaço no livro. E por justa causa, já que nos debates nacionais e internacio‐ nais da época sobre a validade heurística do conceito de “raça” costuma se identificar, em Roquette, um pensa‐ dor à frente de seu tempo. Isto o levou, quase inevita‐ velmente, a uma discussão do pensamento boasiano. Ao contrário de Boas, cujas pesquisas abriram o caminho para a desconstrução do conceito de “raça”, Roquette não chegou ao ponto de negar qualquer valor heurístico do conceito. Ele inclusive defendeu a ideia da existência de raças humanas, mas reduziu consideravelmente seu valor explicativo por negar o determinismo biológico, pseudocientífico, predominante na época. As grotescas desigualdades sociais e econômicas no Brasil não po‐ dem, segundo ele, ser atribuídas a heranças genéticas ou, em suas próprias palavras, “... não esqueçamos, por amor ao preconceito disfarçado ou manifesto, que o problema nacional não é transformar os mestiços do Brasil em gente branca. O nosso problema é a educação dos que aí se acham, claros ou escuros” (138). Um otimismo quase iluminista com relação ao poder do empirismo e da razão, algo influenciado pelos conta‐ tos com os círculos positivistas, o levou, a partir de 1922/23, a um protagonismo em ambiciosos projetos educacionais por radiodifusão, outro enfoque do livro. Suas ideias generosas e visionárias sobre a radiodifusão pública para fins educacionais o levaram à criação, jun‐ to com outros professores e cientistas, da Rádio Socie‐ dade, a qual finalmente foi transferida, por doação, ao Ministério da Educação e Cultura, em 1936, e rebatiza‐ da em Rádio MEC, nome que a famosa emissora, sedia‐ da no Rio de Janeiro, ainda tem hoje em dia. A linguagem do livro é fluida e a leitura, agradável. Os leitores podem estranhar que as referências remissi‐ vas à bibliografia são feitas sem citar nem ano nem pá‐ ginas, o que talvez seja explicável como questão estilís‐ tica para garantir o fluxo da leitura, ou seja, algo co‐ mum entre jornalistas, mas não em publicações científi‐ cas. Algumas comparações são desproporcionais, como aquela entre Rondon e Gandhi (82). E igualar os impac‐ tos das obras de Roquette-Pinto e Gilberto Freyre (118 s.) certamente é discutível. Bojunga também faz questão de destacar as diferenças entre Roquette e Lévi- Strauss, dando destaque ao empirismo do avô, o que le‐ vou, inclusive, a uma interpretação mais do que equivo‐ cada do pensamento do grande mestre francês (91). No entanto, Bojunga apresenta argumentos sólidos para mostrar que seu avô era um pensador e cidadão muito à frente de seu tempo, o que o levou a terminar o livro com uma avaliação bastante otimista sobre a vitória das ideias de Roquette (254–257). Trata-se de uma belíssima edição muito bem ilustrada que ajuda a transformar a leitura em grande prazer. Sin‐ to apenas que Bojunga não publicou mais trechos da correspondência de seu avô, já que atualmente epistolo‐ grafias representam uma fonte bastante valorizada na história das ciências. Mas isso não diminui o prazer de ler seu livro. Peter Schröder (pschroder@bol.com.br) Bradley, Francis R.: Forging Islamic Power and Place. The Legacy of Shaykh Dā’ūd bin ‘Abd Allāh al- Faṭānī in Mecca and Southeast Asia. Honolulu: Univer‐ sity of Hawai‘i Press, 2016. 212 pp. ISBN 978-0-8248- 5161-3. Price: $ 54.00 Die vorliegende Arbeit ist eine stark verkürzte und überarbeitete Fassung einer Dissertation, die im Jahre 2010 als “The Social Dynamics of Islamic Revivalism in Southeast Asia. The Rise of the Patani School, 1785– 1909” von der University of Wisconsin-Madison ange‐ nommen wurde (zugänglich auf der Website ; abgerufen am 22.08.2019). Es geht dabei um die Geschichte islamischer Reformbewegungen in Südostasien, wobei die Intellektuellennetzwerke islami‐ scher Schriftgelehrten untersucht werden, die ursprüng‐ lich aus Patani in Süd-Thailand stammten, jedoch in dem Gebiet zwischen Südostasien, dem indischen Oze‐ an und dem Nahen Osten verbunden waren. Ab dem Ende des 18. Jh.s entstand eine sog. Patani-Richtung des Islams, die mit ihren Texten und Lehren bis zum Anfang des 20. Jh.s die islamischen Gemeinschaften in Thailand, Malaysia, Indonesien, Kambodscha, Vietnam und Singapur maßgebend beeinflusste, heute aber noch immer in traditionalistischen Milieus präsent ist. Bezugnehmend auf Bourdieus Kulturtheorie betrach‐ tet Bradley die Gesellschaft in Patani als “a sum of a number of physical, intellectual, or imagined spaces in which people contended for cultural, economic, and symbolic capital” (36). Bradley stellt die These auf, dass erst mit dem Untergang des Sultanats Patani die is‐ lamische Gelehrsamkeit als soziales Kapital wertvoll für die indigene Elite wurde. Als sich die lokale Wirtschaft Book Reviews 199 Anthropos 115.2020

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Abstract

Anthropos is the international journal of anthropology and linguistics, founded in 1906 by Wilhelm Schmidt, missonary and member of the Society of the Divine Word (SVD). Its main purpose is the study of human societies in their cultural dimension. In honor of Wilhelm Schmidt‘s legacy, the cultivation of anthropology, ethnology, linguistics, and religious studies remain an essential component oft he Anthropos Institute – the organizational carrier of the journal.

Zusammenfassung

Anthropos - internationale Zeitschrift für Völkerkunde wird vom Anthropos Institut St. Augustin seit 1906 zweimal jährlich herausgegeben. Ursprünglich als Sprachrohr für katholische Missionarsarbeit geplant, gilt sie heute als wichtige Fachzeitschrift der allgemeinen Ethnologie. Sie behandelt sowohl kulturelle als auch sprachliche Themen in mehreren Sprachen, mit Schwerpunkt auf den Völkern des gesamtamerikanischen und afrikanischen Kontinents.